PenseLivre On Line

Como dizia apropriadamente Samuel Wainer: A PENA É LIVRE, MAS O PAPEL TEM DONO.
Os blogs permitem que, por algum momento, possamos ter a pena livre e, ao mesmo tempo, ter a propriedade do papel.
Neste blog torno públicas algumas reflexões pessoais, textos e publicações pinçadas da web e que me fizeram pensar e repensar melhor a realidade.
Este blog é uma pretenção cidadã e...nada mais!

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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Produtividade no setor público supera a do setor privado

Estou tão acostumado a ler e ouvir que o setor público não funciona, é cabide de empregos, é um elefante branco e é ineficiente, que estudos como este divulgado pelo IPEA me deixa com pulgas atrás das orelhas: a quem interessa difamar sistematicamente a administração pública? Uma resposta imediata me vem à mente: aos militantes da privataria.

Afinal de contas quem salvou, e continua salvando, as administrações privadas que levaram o sistema financeiro neoliberal capitalista à falência foi e está sendo exatamente a administração pública.

Neste viés é muito esclarecedora a divulgação do estudo do IPEA. Bebi na fonte: aqui

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A administração pública é mais produtiva do que o setor privado. Essa foi uma das conclusões a que chegou o estudo Produtividade na Administração Pública Brasileira: Trajetória Recente, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. O Ipea avaliou a evolução da diferença de produtividade entre esses dois setores entre 1995 e 2006.

A notícia é da Carta Maior, 26-08-2009.

“Em todos os anos pesquisados, a produtividade da administração pública foi maior do que a registrada no setor privado. E essa diferença foi sempre superior a 35%”, afirmou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, ao divulgar o estudo. “No último ano do estudo [2006], por exemplo, a administração pública teve uma produtividade 46,6% maior [do que a do setor privado]. O ano em que essa diferença foi menor foi 1997, quando a pública registrou produtividade 35,4% superior à da privada”.

O estudo diz que entre 1995 e 2006 a produtividade na administração pública cresceu 14,7%, enquanto no setor privado esse crescimento foi de 13,5%. “Há muita ideologia e poucos dados nas argumentações de que o Estado é improdutivo, e os números mostram isso: a produtividade na administração pública cresceu 1,1% a mais do que o crescimento produtivo contabilizado no setor privado, durante todo o período analisado”.

Segundo o Ipea, a administração pública é responsável por 11,6% do total de ocupados no Brasil. No entanto, representa 15,5% do valor agregado da produção nacional. “A produção na administração pública aumentou 43,3% entre 1995 e 2006, crescimento que ficou mais evidente a partir de 2004. No mesmo período, os empregos públicos aumentaram apenas 25%. Isso mostra que a produtividade aumentou mais do que a ocupação”, argumentou o presidente do Ipea. "Esse estudo representa a configuração de uma quebra de paradigma, porque acabou desconstruindo o mito de que o setor público é ineficiente”, defendeu Pochmann.

Entre os motivos que justificariam o aumento da eficiência produtiva da administração pública, Pochmann destacou as recentes inovações, principalmente ligadas às áreas tecnológicas que envolvem Informática; os processos mais eficientes de licitação; e a certificação digital, bem como a renovação do serviço público, por meio de concursos.

O presidente do Ipea lembrou ainda que as administrações estaduais que adotaram medidas de choque de gestão, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, não constam entre aquelas com melhor desempenho na produtividade. "Ou tiveram ganho muito baixo, ou ficaram abaixo da média de 1995 a 2006", afirmou, ressalvando que essa comparação não era objetivo do estudo, mas foi uma das conclusões observadas.



segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A estranha ética de Arthur Virgílio


A estranha ética de Arthur Virgílio

O líder do PSDB no Senado reconhece ter recebido vantagens indevidas, como foi denunciado por ISTOÉ, e diz que vai devolver o dinheiro público
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Realmente a casa do senado federal tem se transformado num circo da pior espécie.
Pude ler a matéria acima em ISTO É Independente


LINA & DILMA

Bem que eu andava desconfiando dessa história. Do nada,
e em plena turbulência senatorial, surge a Dona Lina. Viva a internet e seus atentos repórteres sem diplomas. Muito interessante e elucidadivo os comentários que Luciano Martins publica no Observatório da Imprensa.


Uma história mal contada

Há muito mais informações ocultas do que explícitas na controvérsia que se desenrola em função da acusação da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, que afirmou à Folha de S.Paulo ter recebido recomendação da ministra Dilma Rousseff para "agilizar" a fiscalização das empresas da família Sarney. A ministra afirma que simplesmente nunca houve a reunião na qual supostamente teria feito tal recomendação.

Lina Vieira foi ouvida no Senado e não conseguiu se lembrar de dados importantes para dar verossimilhança a sua acusação. Por outro lado, não há registros oficiais de um encontro entre Lina Vieira e Dilma Rousseff no qual poderia ter havido a conversa citada praticamente todos os dias pelos jornais nas últimas semanas.

A imprensa tem investido muito de sua reputação nesse caso, claramente induzindo o leitor a acreditar na versão da ex-secretária da Receita. Mas cresce na internet uma avalancha de informações e especulações que podem dar outra direção a essa história.

Tudo começa no depoimento de Lina Vieira aos senadores. Sentado ao seu lado, um suposto assessor era visto dando dicas ao pé do ouvido da ex-secretária. Jornalistas curiosos e leitores de blogs o identificaram como o publicitário Alexandre Firmino de Melo Filho, marido da depoente.

Mais: revela-se que Alexandre Firmino é assessor do senador Garibaldi Alves, do partido Democratas, foi ministro interino no governo de Fernando Henrique Cardoso e é um dos acusados num processo que envolve a governadora do Maranhão, Roseana Sarney.

Falta reportagem

A Folha de S.Paulo publicou no sábado (22/8) uma pequena nota, no meio do noticiário sobre a controvérsia entre a ex-secretária da Receita e a ministra da Casa Civil, informando resumidamente sobre a circunstância que torna o marido de Lina Vieira, e ela própria, partes interessadas nas encrencas da família Sarney com a Justiça.

Se existe um processo contra Roseana Sarney e Alexandre Firmino é um dos denunciados, observam alguns blogueiros, quem teria supostamente interesse em melar a fiscalização seria a própria ex-secretária da Receita, e não a ministra. Portanto, a história pode vir a ter um desfecho oposto ao entendimento que os jornais vêm dando ao caso.

Se realmente tem interesse em esclarecer a controvérsia, a imprensa deve aos seus leitores uma reportagem completa sobre as relações do marido de Lina Vieira com o clã Sarney.

Por Luciano Martins Costa em 24/8/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI, 24/8/2009



domingo, 5 de julho de 2009

PT, PMDB e a chave do cofre

A aliança do PT com o PMDB ameaça os planos Tucanos de retomar a chave do cofre republicano. O segmento paulista do PSDB ( FHC + SERRA + ALKIMIN + DASLU e etc) tem náuseas e vômitos com o fato de verem a chave do cofre com um nordestino semianalfabeto (será???). Querem essa chave de volta a qualquer preço.
A aliança dessa burguesia tucana com a mídia gorda não tem sido muito eficaz, mesmo com os escândalos consecutivos direcionados calculadamente para atingirem o Presidente Lula. Parece que não tem muita importância a corrupção como tal, é imperativo que se encontrem aquelas que possam desestabilizar o governo Lula. Caso contrário, não interessa.
Entretanto, quanto mais criam escândalos mais a popularidade do Presidente aumenta. Por uma razão muito simples: falta substância nas denúncias. E o sofrido povo brasileiro, tão semi-analfeto quanto o seu Presidente, fala uma linguagem diferente. Por outro lado, não se tem conseguido aquele escândalo com o qual os próprios acusadores não estejam envolvidos, haja vista mensalão, empreiteiras e quetais.
Vejamos o recente exemplo dos "atos secretos" do Senado.
Parece que são 650 "atos secretos" beneficiando senadores e seus afins.
Desses "atos secretos" alguns beneficiam o bigodudo José Sarney que, por coincidência, é o Presidente do Senado.
Digamos que dos 650 "atos secretos", dez concedam benefícios ao bigodudo e aos seus apaziguados. Restam 640 "atos secretos".
A quem beneficiam os demais "atos secretos"? Quais senadores fizeram uso desses atos? Parece que o DEM tem 14 senadores; o PSDB tem 13 senadores; o PMDB, a maior bancada, conta com 19 excelências no Senado. Quem desses consegue sair ileso da maracutaia?
Na minha santa ignorância não posso deixar de fazer algumas perguntas:
1. Porque só vira notícia os benefícios auferidos pelo bigodudo e seus afilhados?
2. Quem são e que benefícios auferiram as demais excelências?
3. Porque compete ao Presidente da República (que, por coincidência é o Presidente Lula) determinar a deposição do Presidente do Senado (que, por sinal é o bigodudo do PMDB) ?
4. Se o Presidente da República (que, por coincidência é o Presidente Lula) tem que determinar a renúncia do bigoduto, terá que determinar também a renuncia de, pelo menos, 4/5 do senado federal. Isto compete ao Presidente (que, por coincidência é o Presidente Lula)?
5. Não tenho escutado os discursos inflamados, e sinto falta deles, do neto do Senador Antonio Carlos Magalhães. Onde estão o Demóstenes Torres, Efraim Moraes, Magno Malta, Marcelo Crivela, Heráclito Fortes, etc, etc...?
Respondidas ou não as dúvidas acima, passa-me a impressão de que, na realidade, determinada mídia está pouco se incomodando com a corrupção.
Parece que, basta ler ou entreler o conteúdo das manchetes, o que importa são apenas aquelas corrupções que possam atingir, direta ou indiretamente, o presidente da república (que, por coincidência é o Presidente Lula).
Passa-me a impressão, também, de que essa campanha de determinada mídia tem muito pouco a ver com questões éticas ou morais e tudo a ver com o fato de que o PMDB confere apoio e sustentação política ao Presidente (que, por coincidência é o Presidente Lula).
Esse apoio do PMDB é uma ameaça aos planos da tucanada de tomar a chave do cofre republicano de volta. Daí torna-se imperioso provocar um racha do PT com o PMDB e, com isso, limpar a enlamaçada estrada de volta da tucanada ao ninho do planalto.
Só que Lula (por coincidência Presidente) tem se mostrado muito mais esperto do que os discípulos de FHC e não caiu na esparrela de exigir a cabeça do bigodudo.
Muito esperto, o Lula. Para decepção de suas excelências do PSDB e do DEM.
Parece que o golde não está dando certo.
Vamos ver qual será o próximo. Afinall não devemos subestimar a perseverança e a criatividade - duvidosa - da mídia gorda e seus vassalos.

imagem: http://cangarubim.blogspot.com/2009/07/heraclito-acusado-de-usar-e-omitir-atos.html

sábado, 4 de julho de 2009

Governo usará Caixa Econômica para aumentar concorrência no mercado de cartões


Até que enfim alguma coisa parece estar sendo articulada para diminuir a ditadura do Cartão de Crédito.
Vi a notícia no sitio do DIAP e deixo registrada neste meu caderno. Certamente não merecerá destaque na mídia gorda.
Afinal não consigo ver outra função para a Caixa Econômica e o Banco do Brasil que não seja a função social: é no exercício dessa função que reside o seu lucro.
É óbvio que a "professora" de economia Miriam Leitão não concordará com a idéia e fará uma coluna no Globo explicando bem direitinho que o Banco do Brasil e Caixa Econômica irão amargar prejuízos e isso desagradará os acionistas. Haja saco.....

Parabéns Lula.


Sáb, 04 de Julho de 2009 14:39 - (Fonte: Correio Braziliense).


O Governo vai intervir pesadamente no mercado de cartões de crédito, considerado hoje o principal nó do mercado financeiro, por ser pouquíssimo regulado, o que facilita a cobrança de taxas de juros abusivas que chegam a 300% ao ano.
Além das medidas que estão sendo preparadas pelo Banco Central para enquadrar o setor, a serem anunciadas no fim de setembro, a Caixa Econômica Federal deverá criar uma empresa independente para administrar cartões, voltados, principalmente, à baixa renda, impondo maior concorrência no mercado.
"Vamos cuidar de todos os processos, desde a emissão do cartão até a instalação de máquinas no comércio e o processamento das operações", disse um executivo da Caixa.
"Não há mais como esse mercado ser dominado por apenas duas empresas (Visanet e Redecard), que impõem custos altíssimos aos comerciantes e aos consumidores. Isso não é compatível com o processo de concorrência que o BC está impondo ao sistema financeiro", acrescentou.
O modelo a ser executado pela Caixa ainda não está fechado. O banco pode operar de forma independente ou mesmo em parceria com outra empresa de menor porte que já tenha experiência no mercado de cartões de crédito, uma delas, a Hipercard.
"Tudo está sendo avaliado. O importante é que vamos entrar no mercado de cartões e usar a força da Caixa para pressionar a queda dos juros e dos preços dos serviços cobrados do comércio", afirmou o executivo do banco estatal.


Banco do Brasil


O Governo também pretende usar o Banco do Brasil para ampliar a concorrência no mercado de cartões. O BB é um dos principais acionistas da Visanet, que opera a marca Visa.
Por meio do BB, será possível mapear os custos operacionais da Visanet e verificar porque a empresa cobra tão caro dos comerciantes, sobretudo dos de pequeno e médio portes, para operar suas máquinas.
Há indicações de que, nos estabelecimentos beneficiados pelo Simples, os lojistas pagam mais pelo uso da rede de cartões do que em impostos ao Governo.
"É um tremendo absurdo", reconhece um técnico do Ministério da Fazenda, envolvido nas discussões governamentais sobre o setor.
Na avaliação do Banco Central, qualquer medida com o intuito de ampliar a concorrência no mercado de cartões e de reduzir os custos ao comércio e aos consumidores é bem-vinda.
Segundo técnicos da instituição, esse setor já se aproveitou demais da falta de uma regulamentação adequada para cometer abusos.
"Não há mais como fechar os olhos para as incorreções no mercado de cartões. Recebemos, por meio de uma audiência pública, 57 sugestões de mudanças e aperfeiçoamentos do setor. E vamos adotar tudo o que favoreça a ampla concorrência", assinalou um dos técnicos do BC.
Ele, inclusive, já dá como certa a liberação para que haja diferenciação entre o pagamento à vista e com cartão, hoje proibido.

Concentração


Diagnóstico da indústria de cartões no Brasil, feito pelo Banco Central com a ajuda da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça e da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, mostra que Visa e Mastercard respondem por mais de 90% das transações com cartões de crédito e de débito.
É um duopólio.
Para chegar a esse percentual, o Banco Central considerou apenas os cartões que podem ser usados no comércio em geral.
Na estatística não estão incluídos os cartões pré-pagos e os de loja, que só podem ser utilizados em estabelecimentos específicos
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terça-feira, 30 de junho de 2009

Folha de São Paulo & Dilma Rousseff

Sou contumaz leitor do jornal Folha de São Paulo em fins de semana. Ainda é um dos poucos jornais - o único talvez - em que ainda deposito alguma credibilidade.

Li com especial interesse a matéria publicada no domingo 05/04 cuja manchete dava a entender que a Ministra Dilma teria participado de um elaborado plano para sequestrar Delfim Neto. Como não constava em minha memória histórica que Delfim Neto tenha sido algum dia sequestrado e como, mesmo não tendo no momento nenhuma militância político partidária, estou me transformando num admirador da Ministra Dilma, li muito atentamente toda a matéria. No final me dei conta de que o conteúdo não tinha a relevância que pude imaginar. Até aí tudo bem.


Foto: (www.agenciabrasil.gov.br)

O pior é que desdobramentos mais recentes da matéria dão conta de que tudo foi uma grande mentira da Folha de São Paulo. Ainda pior é saber que a matéria foi montada em cima de documento grosseiramente falsificado. Que decepção!

Estará a Folha de São Paulo trilhando o mesmo caminho da Revista Veja? Custa-me acreditar. Mas agora fica difícil acreditar no Jornal.

Tudo indica que a Ministra resolveu jogar duro. E não poderia ser diferente.

Faço questão de deixar registrado no meu modesto blog a carta expedida pela Ministra Dilma para o Ombudsman da Folha de S. Paulo.

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Senhor Jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva

Ombudsman da Folha de S. Paulo,

1. Em 30/03/2009, a jornalista Fernanda Odilla entrevistou-me, por telefone, a pedido do chefe de redação da Folha de S.Paulo, em Brasília, Melchíades Filho, acerca das minhas atividades na resistência à ditadura militar.

2. Naquela ocasião ela me informou que para a realização da matéria jornalística, que foi publicada dia 05/04/09, tinha estado no Superior Tribunal Militar – STM. No entanto, eu soube posteriormente que, com o argumento de pesquisar sobre o Sr. Antonio Espinosa, do qual detinha autorização expressa para tal, aproveitara a oportunidade e pesquisara informações sobre os meus processos, retirando cópias de documentos que diziam respeito exclusivamente a mim, sem a minha devida autorização.

3. A repórter esteve também no Arquivo Público de São Paulo, onde requereu pesquisa nos documentos e processos que me mencionavam, relativos ao período em que militei na resistência à ditadura militar. Neste caso, é política do Arquivo de São Paulo disponibilizar livremente todos os dados arquivados e, em caso de fotocópia, autenticar a cópia no verso com os dizeres "confere com o original", com a data e a assinatura do funcionário responsável pela liberação do documento.

4. Os documentos pesquisados pela jornalista foram aqueles relativos ao Prontuário nº 76.346 e as OSs 0975 e 0029, sendo também solicitadas extrações de cópias.

5. Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30/03 sobre minha participação ou meu conhecimento do suposto seqüestro de Delfim Neto, a matéria publicada tinha como título de capa "Grupo de Dilma planejou seqüestro do Delfim". O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de "factóide", uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu. Tal procedimento não parece ser o padrão da Folha de S.Paulo.

6. O mais grave é que o jornal Folha de S.Paulo estampou na página A10, acompanhando o texto da reportagem, uma ficha policial falsa sobre mim. Essa falsificação circula pelo menos desde 30 de novembro do ano passado na internet, postada no site www.ternuma.com.br ("terrorismo nunca mais"), atribuindo-me diversas ações que não cometi e pelas quais nunca respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem nas sessões de tortura a que fui submetida quando fui presa pela ditadura. Registre-se também que nunca fui denunciada ou processada pelos atos mencionados na ficha falsa.

7. Após a publicação, questionei por inúmeras vezes a Folha de S.Paulo sobre a origem de tal ficha, especificamente o Sr. Melchiades Filho, diretor da sucursal de Brasília. Ele me informou que a jornalista Fernanda Odilla havia obtido a cópia da ficha em processo arquivado no DEOPS – Arquivo Público de São Paulo. Ficou de enviar-me a prova.

8. Como isso não aconteceu, solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha. Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 05/04/2009. Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de S.Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos.

9. Mais estranho ainda é que a legenda da ficha publicada pela Folha dizia: "Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu". Ora, se a Folha sabia que os chamados crimes atribuídos a mim não foram por mim cometidos, por que publicar a ficha? Se optasse pela publicação, como ocorreu, por que não informar ao leitor de onde vinha a certeza da falsidade? Se esta certeza decorria de investigações específicas realizadas pela Folha, por que não informar ao leitor os fatos?

10. O Arquivo Público de São Paulo também disponibilizou cópia do termo de compromisso assinado pela jornalista quando de sua pesquisa, ficando evidente que a repórter não teve acesso a nenhum processo que tivesse qualquer ficha igual à publicada no jornal.

11. Mais ainda: a referida não existe em nenhum dos arquivos pesquisados pela jornalista, seja o STM, seja o Arquivo Público de São Paulo. O fato é que até o momento a Folha de S.Paulo não conseguiu demonstrar efetivamente a origem do documento.

12. Considero ainda que a matéria publicada na sexta-feira,17 de março, em que a Folha relata as minhas declarações ao jornalista Eduardo Costa, da rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, não esclarece o cerne da questão sobre a responsabilidade do jornal no lamentável e até agora estranho episódio: de onde veio a ficha que afirmo ser falsa?

13. Após 21 dias de espera, não acredito ser necessária uma grande investigação para responder à seguintes questões: em que órgão público a Folha de S.Paulo obteve a ficha falsa? A quem interessa essa manipulação? Parece-me óbvio que a certeza sobre a origem de documentos publicados como oficiais é um pré-requisito para qualquer publicação responsável.

14. Transcrevo abaixo o texto literal do termo de responsabilidade assinado pela jornalista em 22/01/09:

"Declaro, para todos os fins de Direito, assumir plena e exclusiva responsabilidade, no âmbito civil e criminal, por quaisquer danos morais ou materiais que possa causar a terceiros a divulgação de informações contidas em documentos por mim examinados e a que eu tenha dado causa. Ficam, portanto, o Governo do Estado de São Paulo e o Arquivo do Estado de São Paulo exonerados de qualquer responsabilidade relativa a esta minha solicitação.

Declaro, ainda, estar ciente da legislação em vigor atinente ao uso de documentos públicos, em especial com relação aos artigos 138 e 145 (calúnia, injúria e difamação) do Código Penal Brasileiro.

Assumo, finalmente, o compromisso de citar a fonte dos documentos (Arquivo do Estado de São Paulo) nos casos de divulgação por qualquer meio (imprensa escrita, radiofônica ou televisiva, internet, livros, teses, etc)." (Cópia em anexo)

15. Por último, cabe deixar claro que a ficha falsa foi divulgada em vários sites de extrema direita, como: a) Ternuma (Terrorismo Nunca Mais), blog de apoio ao Cel. Carlos Alberto Brilhante Ustra, ficha falsa postada em 30 de novembro de 2008; b) Coturno Noturno – Blog do Coronel: ficha falsa postada em 27 de março de 2009 (a ficha está "atualizada" apresentando uma foto atual) (http://coturnonoturno.blogspot.com/2009/04/desta-parte-dilma-lembra-tudo.html). A partir daí, outros sites na internet também divulgaram a ficha: a) http://fórum.hardmob.com.Br/showthread.php; b) http:/www.viomundo.com.Br/blog/dilma-terrorista/

16. Estou anexando a este memorial cópia de alguns documentos que considero importantes para sua avaliação:

** Termo de responsabilidade assinado pela jornalista no Arquivo de SP;

** Cópia de fichas onde consta a foto (ou idêntica) à utilizada para montagem da ficha usada pela Folha de S.Paulo

** Cópia da solicitação da jornalista Fernanda Odilla ao STM de acesso a informações sobre Antonio Espinosa

** Autorização do Sr. Antonio Espinosa para acesso aos seus documentos

** Termo de Compromisso assinado pela jornalista Fernanda Odilla junto ao STM.



sábado, 9 de maio de 2009

Não culpem os porcos


A malária é um problema mundial. Essa doença transmitida por mosquito afeta cerca de 300 milhões de pessoas todos os anos, resultando em 1 milhão de mortes. Mais de 90% de todos os casos ocorrem em países africanos, onde é a principal causa de morte de crianças abaixo de cinco anos de idade. Atualmente, a doença é um desafio à saúde pública, com 2 bilhões de pessoas em risco, em mais de 100 países.

Porque será que a malária não desperta na mídia gorda o mesmo interesse que a gripe suína? Será por que está última significa uma ameaça a todas as classes sociais? Ou também por que a nova eventual pandemia significa lucros astronômicos, não divulgados, para determinados setores da economia? Ou ambas as hipóteses.

Lí em O lucro, outra epidemia que avança: Os únicos anti-virais que ainda têm ação contra o novo vírus estão patenteados na maior parte do mundo e são propriedade de duas grandes empresas farmacêuticas: zanamivir, com nome comercial Relenza, comercializado por GlaxoSmithKline, e oseltamivir, cuja marca comercial é Tamiflu, patenteado por Gilead Sciences, com licença exclusiva da Roche. Glaxo e Roche são a segunda e quarta maiores empresas farmacêuticas à escala mundial e, como com todos os seus fármacos, as epidemias são as suas melhores oportunidades de negócio.

Para ficarmos bem informados sobre o que vem rolando nos bastidores da epidemia, sugiro a leitura de:




Se quiserem permanecer desinformados vejam o que falou o porco, digo, tucano José Serra em: