PenseLivre On Line

Como dizia apropriadamente Samuel Wainer: A PENA É LIVRE, MAS O PAPEL TEM DONO.
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Neste blog torno públicas algumas reflexões pessoais, textos e publicações pinçadas da web e que me fizeram pensar e repensar melhor a realidade.
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quarta-feira, 11 de março de 2015

Lula: o "bicho"!

Antes de ler o texto a seguir procurei entender o significado de "cerberus". Encontrei na Wikipédia que "Na mitologia grega, Cérbero (em grego: Κέρβερος; transl.: Kerberos, demônio do poço; em latim: Cerberus) era um monstruoso cão de múltiplas cabeças e pescoço que guardava a entrada do inferno (mundo inferior), o reino subterrâneo dos mortos, deixando as almas entrarem, mas jamais saírem e despedaçando os mortais que por lá se aventurassem." É esta imagem que o autor aplica à figura política de Lula.
A reflexão é interessante e provocadora.
O momento é complexo e desafiador para os esquerdas. O momento europeu aponta saídas tentadoras e apresenta novos agentes e novas leituras do confronto com o status neoliberal que tenta dominar o planeta. 
jose amorim de andrade

Lula, o cerberus da política brasileira


Edemilson Paraná é jornalista, doutorando em Sociologia na UnB e vice-presidente do PSOL-DF

As crises, como soube demonstrar de modo didático o velho Marx, têm a trágica dádiva de separar o real do ilusório, trazendo à superfície o que estava encoberto sob a aparência de normalidade. Se já não esteve suficientemente evidente ao longo de sua trajetória política, em especial nos últimos 13 anos, o momento difícil pelo qual passa o país atualmente, desnuda com especial clareza o papel de um importante ator na cena política brasileira: Lula. 
Poucas dúvidas restam quanto à sua disposição para voltar ao centro da disputa eleitoral em 2018. E não se trata apenas de vontade pessoal. Seu partido não tem outra opção. Emparedado pela conjuntura, tendo de gestar à duras penas um pacto político-social que desmorona; apenas assentado no incomparável carisma, influência e habilidade política de seu líder histórico, o Partido dos Trabalhadores tem alguma chance de concorrer de modo competitivo à Presidência. Pudera. Em volta do ex-presidente nada, nenhuma alternativa real, pode de fato surgir e florescer no interior do PT. É a própria monumentalidade de Lula – como gestor habilidoso de interesses hegemônicos – que também impede a produção do novo em seu interior. 
Eis a maldição do bonapartismo lulista: se é verdade que o PT não pode ser concebido atualmente sem ele, é igualmente verdadeiro que tudo em que o ex-presidente toca acaba por morrer cedo ou tarde. Em seu nome – que ao longo dos anos deixou de ser meio para se tornar o próprio fim da política petista, como metonímia da busca pela manutenção do poder à qualquer custo, tombaram quadros históricos, e é sobretudo em seu entorno que se articula a blindagem que ora assistimos no âmbito da Operação Lava Jato. Aponta-se, dessa forma, uma amarga contradição: como sinônimo de sua salvação, Lula é o maior agente da atual desgraça petista. 
Nos últimos meses, sua condição de cerberus da política brasileira desnudou-se com eloquência. De modo veloz, quase ansioso, nas mil rotações por minuto que exigem a gestão de qualquer crise, Lula se fez tricéfalo. Como generoso agente da banca, enquanto silenciava sobre a criminosa evasão de divisas de ricaços brasileiros no HSBC suíço – muitos deles financiadores de campanhas eleitorais, “enquadrou” seu partido para que aceitasse, sem grita, as medidas de ajuste e austeridade levadas à cabo pelo “Chicago boy” e ex-FMI Joaquim Levy. Não é demais lembrar que, nas últimas eleições, entre os agitadores do “volta Lula” nos bastidores estiveram proeminentes representantes de grandes instituições financeiras. Igualmente, como interlocutor junto ao mais atrelado ao Estado dos setores da indústria produtiva no Brasil, achegou-se das empreiteiras, em especial da Odebrecht, nos jatinhos de quem, sabemos, o ex-presidente é presença cativa. Por fim, posou em abraço com Guilherme Boulos do MTST na entrega de casas do programa Minha Casa Minha Vida, subiu em palanques com sindicalistas em “defesa” da Petrobras e convocou o MST – o “exército de João Pedro Stédile” – para a “guerra”.
Em nome de quem combate o cerberus Lula? De que lado está? Dos bancos, do capital produtivo e das empreiteiras, ou dos movimentos sociais? Talvez acredite, como antes, ser possível agradar a todos. Há, no entanto, evidentes contradições de interesses entre tais setores, especialmente agora. Em tempos de aperto, de recrudescimento dos antagonismos econômicos, políticos e sociais, em quais saídas apostará realmente? Qual de suas cabeças diz a verdade, por meio de qual delas mente e confunde?
Por mais curioso que pareça, a resposta não pode ser outra: em todas e em nenhuma delas. É  justamente essa aparente “ambiguidade” que faz de Lula e do PT o que são: o encantamento fatal, como um pêndulo, do mito em torno da eterna e irremediável “contradição”, da figura, do partido e do governo para sempre “em disputa”, ainda que mantendo, ao fim e ao cabo, e de modo indefinido, intocada a grave estrutura econômica e social do país. É, pois, falando, ao mesmo tempo, para todos esses setores e para nenhum deles que Lula habilmente mantém-se como o coringa da política brasileira, a carta na manga a ser utilizada no momento necessário.
O plano, como metonímia da própria trajetória dos governos petistas anteriores, está traçado: dois anos de duro ajuste econômico e concessões à banca, dois anos de acenos ao setor produtivo e movimentos sociais. Aumento de popularidade. Manutenção no poder. Tudo muda para permanecer exatamente como antes. Mas os tempos são outros. Nenhuma fórmula é eterna e o mar não está para peixe. Pouca coisa indica que tal aposta será bem-sucedida novamente. Em tempos extremos, alguém terá de ceder. É também por isso que a cabeça (ou as cabeças) de Lula é o prêmio mais desejado pela oposição à direita, tão bem vocalizada nos microfones na mídia oligopolista. Por mais previsível que a aposta pareça a se julgar pelo passado recente, ninguém quer aceitar mais o risco de pagar para ver. A verdade é que, ainda que isso as tenha favorecido de modo notável, as elites brasileiras, em especial a financeira, cansaram-se de conversar com um bicho de três cabeças, querem uma cabeça só: a sua própria cabeça.
Diante desse emparedamento, algo parece claro: desejando-as genuinamente ou não, Lula e o PT já mostraram que estão dispostos a sacrificar pouco ou quase nada pelas ditas “reformas estruturais”, tão necessárias para o superar o círculo vicioso de dependência, vulnerabilidade e subdesenvolvimento em que historicamente estamos aprisionados. A “Frente de lutas pelas reformas estruturais”, salutar iniciativa que ora se desenha com a participação de partidos de esquerda, sindicados e movimentos sociais corre, portanto, sério risco de ser capturada, simbólica ou faticamente, como trincheira de defesa de um governo desgastado ou como mais um palanque para promessas eleitorais vazias, novamente traídas. É o que quer o lulismo.

Quanto aos rumos da esquerda de fato diante dessa eterna espera por Godot, o outro lado do Atlântico tem fornecido algumas boas dicas: “que se vayan todos”. Já cruzamos o limite do absurdo. A direita neoliberal, e as velhas “esquerdas” que, no governo, aplicam de modo análogo seu pacote de maldades devem ser tratadas igualmente e não como diferentes faces de um “mal menor” nas bordas do atual arranjo de poder. Precisamos, com diálogo verdadeiro e sem sectarismos, mostrar à sociedade brasileira que há saídas reais, concretas e sólidas à esquerda da ordem para o atoleiro em que estamos metidos, alternativas que coloquem as pessoas e as necessidades sociais em seu centro, que façam os que tem muito retornar o que obtiverem da sociedade em prol dos quem tem menos e que, ao contrário daqueles, sempre pagam a conta dos “momentos difíceis” do país desde o seu início. Por mais que um suposto senso de “responsabilidade histórica” tenha eventualmente nos colocado no mesmo palanque de cerberus quaisquer, neste momento a política e a população  brasileira pedem distinções claras. Já passou da hora de sermos apenas uma voz, forte e uníssona: a voz dissonante.

sábado, 6 de julho de 2013

Du Parti des travailleurs au parti de Lula

Do Partido dos Trabalhadores ao Partido de Lula

A matéria abaixo, em francês, é um excelente resumo da trajetória do PT ao LULISMO. A fonte original do artigo é http://www.monde-diplomatique.fr/2013/07/ESTEVAM/49302

par Douglas Estevam, juillet 2013

Les manifestations qui ont rassemblé jusqu’à un million de personnes dans les grandes villes brésiliennes au mois de juin interrogent la stratégie politique du Parti des travailleurs (PT). Au pouvoir en coalition depuis 2003, celui-ci à cherché à accroître le niveau de vie de la population sans rogner les profits des entreprises ni bousculer les privilèges des puissants. Une politique de la conciliation sans mobilisation populaire (incarnée par le syndicaliste devenu président Luiz Inácio Lula da Silva) en rupture avec le projet initial du PT.

Une foule de presque cent mille ouvriers, réunie au stade de football du quartier de Vila Euclides, hurle : « Lula ! Lula ! Lula ! », le surnom de M. Luiz Inácio da Silva. Porté par cette marée humaine, passant de mains en mains, le dirigeant syndical, qui avait disparu depuis une intervention de la police au siège de son organisation, parvient jusqu’à la tribune, sans toucher le sol.

Nous sommes en 1979. L’année a commencé par une nouvelle vague de conflits syndicaux dans le principal centre industriel du pays, la région métropolitaine de São Paulo, connue sous le nom d’« ABC (1) ». Ces ouvriers, provenant pour la plupart du nord-est brésilien et arrivés dans la capitale économique du pays pour échapper à la faim, n’imaginaient sans doute pas que celui qu’ils voyaient se dresser devant eux allait devenir l’un des plus importants dirigeants politiques du Brésil.

Des années plus tard, « Lula » tirerait 30 millions de brésiliens d’une pauvreté qu’il avait lui-même connue. Il séduirait également le puissant secteur financier du pays, placerait le géant sud-américain sur une nouvelle trajectoire économique caracterisée par un nouveau développementisme (2) et orchestrerait un nouveau pacte politique dans le pays. Un ensemble de changements réalisés au nom du PT, mais auquel il lèguerait son nom : le « lulisme ».

La trajectoire de maturation politique du Parti des travailleurs (PT),« l’unique parti de masse de la planète créé après la Deuxième guerre mondiale (3) », s’avère inséparable de celle de Lula, l’un de ses fondateurs. Les deux mouvements s’influencent respectivement et dessine le cadre historique large qui permet de comprendre l’émergence du lulisme.

Au cours de la dictature (1964-1985), un puissant mouvement social émerge au milieu des années 1970, grâce notamment au soutien des secteurs progressistes de l’Eglise liés à la théologie de la libération, de groupes issus de la lutte armée et d’intellectuels renommés. Tous se retrouvent autour d’un « nouveau syndicalisme » en rupture avec le corporatisme traditionnel. En 1980, ensemble, ils forment le « parti de travailleurs » : un parti « sans patrons », tel qu’il se présente d’emblée. A l’époque, l’effervescence est telle que surgit également la Centrale unique des travailleurs (CUT), en 1983, et le Mouvement des travailleurs sans terre (MST), en 1984.

Pourtant, d’emblée, le rapport du PT avec les secteurs les plus défavorisés apparaît comme une difficulté. Elle marquera l’histoire du parti et ne sera véritablement surmontée qu’avec la réélection de Lula en 2006. Le PT vient à peine d’être quand, sur la place principale de São Bernardo, « Bigode », un syndicaliste qui collecte des fonds pour la grève, affirme au cameraman qui le filme : « notre mouvement n’est pas politique, il n’a rien de politique, c’est un mouvement pacifique, syndical, pour les salaires, seulement. Il n’a rien de politique (4) ». La prudence du syndicaliste, qui ne souhaite pas mélanger luttes syndicale et politique, répond à un sentiment profond au sein des classes populaires de la société brésilienne : la peur de la déstabilisation, du conflit et de la radicalité.

Pour beaucoup, ce sentiment serait à l’origine de la défaite de Lula aux présidentielles de 1989, le premier scrutin au suffrage universel organisé après la fin de la dictature, en 1985. A l’époque, Lula avait en effet perdu face au grand bourgeois Fernando Collor de Mello au sein de l’électorat à bas revenus. En revanche, la situation s’inversait au sein des autres classes sociales, et plus les revenus des électeurs étaient importants, plus ils avaient tendance à voter Lula (celui-là même qui, hirsute, promettait le socialisme). Le rejet de la radicalité associée au PT — et à Lula en particulier — jouera également un rôle important dans ses échecs aux élections présidentielles suivantes, de 1994 et 1998.

« La vérité, c’est que ceux qui nous ont fait perdre, au-delà des grands médias, ce sont ceux qui sont les moins éclairés et les plus défavorisés de la société (5) », explique Lula au lendemain de sa défaite, en 1989. Mais, promet-il, « mon combat n’a pas changé ». Le PT doit s’efforcer d’« atteindre ceux qui perçoivent les salaires les plus modestes ». Toutefois, à l’époque, le dirigeant demeure convaincu que « la véritable opposition [aux politiques de la droite] passe en dehors de la voie institutionnelle, ou du congrès (6) ».

Au sein du PT, cette vision de l’action politique commence à paraître obsolète à certains, y compris parmi les proches de Lula. Ces derniers gagnent en influence à la faveur d’une spécificité du PT : la reconnaissance des tendances internes. « L’Articulation des 113 » apparaît en 1983. Symboliquement dirigée par Lula, celle-ci va se construire en opposition à « l’élitisme » et à « l’avant-gardisme » des tendances de la gauche partisane (utilisant bien souvent le PT comme façade pour d’autres objectifs politiques). Ceux-ci ne manquent pas une occasion de reprocher au courant de Lula — déjà qualifié de « lulisme » — ce qu’ils décrivent comme un réformisme mollasson. Avec la chute du bloc soviétique, la remise en cause de l’orientation socialiste du parti s’intensifie en interne.

A mesure que le PT obtient des élus, les groupes liés à des mandats exécutifs et parlementaires gagnent en influence au sein de l’organisation. Ce phénomène, doublé du poids des syndicalistes disposant d’importants moyens financiers en dehors du parti, tend à déplacer les centres de décision vers l’extérieur de la structure. S’éloignant peu à peu des bases populaires, les élus gagnent en autonomie sans pour autant toujours réussir à répondre aux demandes des mouvements gravitant autour du PT, lesquels se montrent moins disposés à envisager l’action politique comme progressive, ou contradictoire. Inévitablement, des tensions et des conflits apparaissent.

Porté par l’Articulation, Lula change d’optique et les priorités du PT évoluent : non plus accumuler des forces sociales pour transformer le Brésil, mais conquérir des espaces institutionnels pour le changer progressivement de l’intérieur. Parti d’opposition de gauche, soutenu par les mouvements sociaux, l’organisation se transforme en parti d’opposition au sein de l’Etat, sur les bancs de l’Assemblée, dans un nombre de plus en plus important de mairies ainsi qu’au gouvernement de plusieurs Etats du pays. Avec l’élection de Lula en 2002, le PT devient finalement un parti de gouvernement. Cette bascule s’opère de façon d’autant plus aisée qu’elle débute dans le contexte idéologique de la « fin de l’Histoire » et de la contre-révolution néolibérale. « Le mur de Berlin est tombé sur le PT », conclut l’historien Lincoln Secco. Lula présente les choses autrement. Vingt ans après sa défaite de 1989, il observait : « Je pense que nous avons reçu un coup de pouce du bon Dieu. Nous ne devions pas remporter cette élection, nous étions trop radicaux. Si j’avais gagné, avec le discours que j’avais, je ne sais pas si j’aurais pu gouverner plus de sept ou huit mois (7). »

Au début des années 1990 les crises engendrées par les politiques néolibérales et les manifestations contre M. Collor de Mello renforcent les courants de gauche en interne : ils prennent les commandes du PT, à la faveur d’une division au sein de l’Articulation. Mais la mue du parti se poursuit néanmoins : en 1994, MM. Antonio Palocci (maire de Ribeirão Preto) membre de l’Articulation et Luiz Eduardo Cheida (maire de Londrina) vendent les entreprises de téléphonie de leurs villes respectives à des capitaux privés, faisant alors des privatisations avant même l’arrivée à la présidence de l’homme auxquelles elles sont associées au Brésil, M. Fernando Henrique Cardoso. M. Palocci deviendra ministre des finances de Lula de 2003 à 2006.

L’Articulation reprend les commandes du parti en 1995, après l’échec de Lula contre M. Fernando Henrique Cardoso (droite) aux présidentielles de 1994. Cette déconvenue renforce encore les tendances modérées, qui se rallient à l’Articulation pour former, un peu plus tard, le « Camp Majoritaire ». Présidé par M. José Dirceu, le PT opte alors pour l’union avec le centre gauche, notamment le Parti du mouvement démocratique brésilien (PMDB), avant d’élargir ses alliances à la droite. En 2002, le candidat à la vice-présidence aux côtés de Lula, est un homme d’affaires convaincu des vertus du libre-échange : José Alencar.

Autre facteur ayant contribué à l’évolution du PT, l’accroissement du poids des entreprises dans le financement des partis. En 1989, les adhésions des militants représentaient 30 % du budget du PT. En 2004, elles ne constituait plus que 1% de la trésorerie du parti. Les banques et les grandes entreprises ont été les plus importants contributeurs à la campagne de Lula en 2006.

Comme les recherches du politiste André Singer le montrent (8), Lula a su profiter du cycle d’expansion de l’économie mondiale entre 2003 et 2008, notamment du « boom » des matières premières, pour adopter des mesures de réduction de la pauvreté et renforcer le marché intérieur mais sans bousculer les intérêts des classes dominantes ou « rompre avec le capitalisme », ce que prescrivait pourtant le programme du PT…

Grâce à cette politique prudente, Lula est parvenu à modifier la façon dont il était perçu au sein des classes populaires et a renverser la structure politique traditionnelle. Ainsi, alors que sa victoire de 2006 pouvait sembler rééditer celle de 2002, Lula était alors porté au pouvoir par un électorat très différent : non plus les classes moyennes, secteurs qui avaient traditionnellement soutenu le PT, mais les plus pauvres, principaux bénéficiaires des politiques sociales du lulisme. Un « réalignement électoral » qui, selon Singer, conduirait les classes moyennes à se rapprocher de la droite du Parti de la sociale-démocratie brésilienne (PSDB). Choisissant d’ignorer ce second aspect, le PT concluait alors : « L’espérance a vaincu la peur. »

Mais la mobilisation électorale des classes populaires n’impliquera pas le renforcement de leur participation politique, au contraire. Alors que des leaders syndicaux parviennent aux commandes de fonds de pensions ou de ministères — aux côtés de chefs d’entreprises et de grands producteurs — une bureaucratie d’Etat promeut peu à peu la neutralisation des antagonismes de classe : autre élément caractéristique du « lulisme ». Face à ce mouvement, le parti se trouve privé de ses militants les plus aguerris et abandonne progressivement la stratégie de mobilisation populaire…

Le pays enregistre des progrès sociaux indéniables. Mais l’importante réduction de la pauvreté (9) ne s’accompagne que d’une « lente chute de l’inégalité », conduisant Singer à définir le lulisme comme un« réformisme faible », qu’il décrit même comme « conservateur », dans la mesure où il ne s’aventure pas à menacer les intérêts des puissants. En 2012, le Brésil était encore l’un des pires pays d’Amérique Latine en termes de distribution de revenus. 40 % du budget fédéral se voyait accaparé par la dette – majoritairement interne et détenue par les familles fortunées du pays – contre environ 4 % pour la santé, 3 % pour l’éducation et 0,70 % (10) pour les transports, tous trois parmi les préoccupations principales des manifestants de juin 2013…

Douglas Estevam

Journaliste, Brésil.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Obsessão da oposição: desqualificar LULA

Obrigado Maria Inês Nassif por mostrar as evidências da baixeza dos que se opõem ao Brasil de hoje.
Amorim de Andrade


Por Vânia
Da Carta Maior
A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso.

A cultura de tentar ganhar no grito tem prevalecido sobre a boa educação e o senso de humanidade na política brasileira. E o alvo preferencial do “vale-tudo” é, em disparada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por algo mais do que uma mera coincidência, nunca antes na história desse país um senador havia ameaçado bater no presidente da República, na tribuna do Legislativo. Nunca se tratou tão desrespeitosamente um chefe de governo. Nunca questionou-se tanto o merecimento de um presidente – e Lula, além de eleito duas vezes pelo voto direto e secreto, foi o único a terminar o mandato com popularidade maior do que quando o iniciou. 
A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso. A campanha que se espalhou nas redes sociais pelos adversários políticos de Lula, para que ele se trate no Sistema Único de Saúde (SUS), é de um mau gosto atroz. A jornalista que o culpou, no ar, pelo câncer que o vitimou, atribuindo a doença a uma “vida desregrada”, perdeu uma grande chance de ficar calada.
Até na política as regras de boas maneiras devem prevalecer. Numa democracia, o opositor é chamado de adversário, não de inimigo (para quem não tem idade para se lembrar, na nossa ditadura militar os opositores eram “inimigos da pátria”). Essa forma de qualificar quem não pensa como você traz, implicitamente, a ideia de que a divergência e o embate político devem se limitar ao campo das ideias. Esta é a regra número um de etiqueta na política.
A segunda regra é o respeito. Uma autoridade, principalmente se se tornou autoridade pelo voto, não é simplesmente uma pessoa física. Ela é representante da maioria dos eleitores de um país, e se deve respeito à maioria. Simples assim. Lula, mesmo sem mandato, também o merece. Desrespeitar um líder tão popular é zombar do discernimento dos cidadãos que o apoiam e o seguem. Discordar pode, sempre.
A terceira regra de boas maneiras é tratar um homem público como homem público. Ele não é seu amigo nem o cara com quem se bate boca na mesa de um bar. Essa regra vale em dobro para os jornalistas: as fontes não são amigas, nem inimigas. São pessoas que estão cumprindo a sua parte num processo histórico e devem ser julgadas como tal. Não se pode fazer a cobertura política, ou uma análise política, como se fosse por uma questão pessoal. Jornalismo não deve ser uma questão pessoal. Jornalistas têm inclusive o compromisso com o relato da história para as gerações futuras. Quando se faz jornalismo com o fígado, o relato da história fica prejudicado.
A quarta regra é a civilidade. As pessoas educadas não costumam atacar sequer um inimigo numa situação tão delicada de saúde. Isso depõe contra quem ataca. E é uma péssima lição para a sociedade. Sentimentos de humanidade e solidariedade devem ser a argamassa da construção de uma sólida democracia. Os formadores de opinião tem a obrigação de disseminar esses valores. 
A quinta regra é não se deixar contaminar por sentimentos menores que estão entranhados na sociedade, como o preconceito. O julgamento sobre Lula, tanto de seus opositores políticos como da imprensa tradicional, sempre foi eivado de preconceito. É inconcebível para esses setores que um operário, sem curso universitário e criado na miséria, tenha ascendido a uma posição até então apenas ocupada pelas elites. A reação de alguns jornalistas brasileiros que cobriram, no dia 27 de setembro, a solenidade em que Lula recebeu o título “honoris causa” pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é uma prova tão evidente disso que se torna desnecessário outro exemplo.
No caso do jornalismo, existe uma sexta regra, que é a elegância. Faltou elegância para alguns dos meus colegas.
(*) Colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo.

Guia de boas maneiras, por Maria Inês Nassif | Brasilianas.Org

domingo, 5 de julho de 2009

PT, PMDB e a chave do cofre

A aliança do PT com o PMDB ameaça os planos Tucanos de retomar a chave do cofre republicano. O segmento paulista do PSDB ( FHC + SERRA + ALKIMIN + DASLU e etc) tem náuseas e vômitos com o fato de verem a chave do cofre com um nordestino semianalfabeto (será???). Querem essa chave de volta a qualquer preço.
A aliança dessa burguesia tucana com a mídia gorda não tem sido muito eficaz, mesmo com os escândalos consecutivos direcionados calculadamente para atingirem o Presidente Lula. Parece que não tem muita importância a corrupção como tal, é imperativo que se encontrem aquelas que possam desestabilizar o governo Lula. Caso contrário, não interessa.
Entretanto, quanto mais criam escândalos mais a popularidade do Presidente aumenta. Por uma razão muito simples: falta substância nas denúncias. E o sofrido povo brasileiro, tão semi-analfeto quanto o seu Presidente, fala uma linguagem diferente. Por outro lado, não se tem conseguido aquele escândalo com o qual os próprios acusadores não estejam envolvidos, haja vista mensalão, empreiteiras e quetais.
Vejamos o recente exemplo dos "atos secretos" do Senado.
Parece que são 650 "atos secretos" beneficiando senadores e seus afins.
Desses "atos secretos" alguns beneficiam o bigodudo José Sarney que, por coincidência, é o Presidente do Senado.
Digamos que dos 650 "atos secretos", dez concedam benefícios ao bigodudo e aos seus apaziguados. Restam 640 "atos secretos".
A quem beneficiam os demais "atos secretos"? Quais senadores fizeram uso desses atos? Parece que o DEM tem 14 senadores; o PSDB tem 13 senadores; o PMDB, a maior bancada, conta com 19 excelências no Senado. Quem desses consegue sair ileso da maracutaia?
Na minha santa ignorância não posso deixar de fazer algumas perguntas:
1. Porque só vira notícia os benefícios auferidos pelo bigodudo e seus afilhados?
2. Quem são e que benefícios auferiram as demais excelências?
3. Porque compete ao Presidente da República (que, por coincidência é o Presidente Lula) determinar a deposição do Presidente do Senado (que, por sinal é o bigodudo do PMDB) ?
4. Se o Presidente da República (que, por coincidência é o Presidente Lula) tem que determinar a renúncia do bigoduto, terá que determinar também a renuncia de, pelo menos, 4/5 do senado federal. Isto compete ao Presidente (que, por coincidência é o Presidente Lula)?
5. Não tenho escutado os discursos inflamados, e sinto falta deles, do neto do Senador Antonio Carlos Magalhães. Onde estão o Demóstenes Torres, Efraim Moraes, Magno Malta, Marcelo Crivela, Heráclito Fortes, etc, etc...?
Respondidas ou não as dúvidas acima, passa-me a impressão de que, na realidade, determinada mídia está pouco se incomodando com a corrupção.
Parece que, basta ler ou entreler o conteúdo das manchetes, o que importa são apenas aquelas corrupções que possam atingir, direta ou indiretamente, o presidente da república (que, por coincidência é o Presidente Lula).
Passa-me a impressão, também, de que essa campanha de determinada mídia tem muito pouco a ver com questões éticas ou morais e tudo a ver com o fato de que o PMDB confere apoio e sustentação política ao Presidente (que, por coincidência é o Presidente Lula).
Esse apoio do PMDB é uma ameaça aos planos da tucanada de tomar a chave do cofre republicano de volta. Daí torna-se imperioso provocar um racha do PT com o PMDB e, com isso, limpar a enlamaçada estrada de volta da tucanada ao ninho do planalto.
Só que Lula (por coincidência Presidente) tem se mostrado muito mais esperto do que os discípulos de FHC e não caiu na esparrela de exigir a cabeça do bigodudo.
Muito esperto, o Lula. Para decepção de suas excelências do PSDB e do DEM.
Parece que o golde não está dando certo.
Vamos ver qual será o próximo. Afinall não devemos subestimar a perseverança e a criatividade - duvidosa - da mídia gorda e seus vassalos.

imagem: http://cangarubim.blogspot.com/2009/07/heraclito-acusado-de-usar-e-omitir-atos.html