PenseLivre On Line

Como dizia apropriadamente Samuel Wainer: A PENA É LIVRE, MAS O PAPEL TEM DONO.
Os blogs permitem que, por algum momento, possamos ter a pena livre e, ao mesmo tempo, ter a propriedade do papel.
Neste blog torno públicas algumas reflexões pessoais, textos e publicações pinçadas da web e que me fizeram pensar e repensar melhor a realidade.
Este blog é uma pretenção cidadã e...nada mais!

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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

"Não queremos os fantasmas do passado." - Dilma Roussef


Dilma disse em seu discurso após a promulgação dos resultados do primeiro turno: “Não queremos os fantasmas do passado: a recessão e o arrocho. O povo não quer mais aqueles que chamavam aposentado de vagabundo. Não quer mais racionamento de energia, nem aqueles que se ajoelhavam para o FMI ."
Transcrevo a seguir uma boa avaliação feita por Rodrigo Viana e os possíveis ensinamentos que podem ser deduzidos desse delicado e importante momento histórico.

por Rodrigo Vianna

O primeiro balanço a se fazer da eleição é o institucional. E esse é bastante contraditório. O PT (Dilma) termina o primeiro turno com cerca de 5 pontos a menos do que conquistou em 2010: teve quase 47% dos votos há quatro anos; e agora ficou com cerca de 42%. Aécio teve os mesmos 33% de Serra em 2010 (parte do eleitorado tucano, que ensaiou uma revoada em direção a Marina depois da morte de Eduardo, voltou para o ninho original). Já Marina teve 21% agora – contra 19% em 2010.
Fora isso, o PSOL praticamente dobrou a votação. Luciana Genro colheu algum resultado pela coragem de enfrentar temas dos quais o PT foge. Mas é um crescimento ainda residual, que mal chega à casa de 2% dos votos.
Na disputa efetiva pelo poder, a conta para o segundo turno, de saída, é a seguinte…
- Aécio (segundo as pesquisas, que até agora erraram demais) deve ficar com ao menos 60% dos votos de Marina. Ou seja, dos 21% de Marina, 13% devem seguir para o tucano – são os votos marineiros do Sul e Sudeste, principalmente. Ele também deve garantir mais cerca de 2% dos nanicos conservadores(Pastor Everaldo e Levy Fidelix). Resumo/Aécio: 33% do primeiro turno + 13% de Marina + 2% dos nanicos = 48%.
- Dilma, que teve quase 42%, deve herdar pouco mais de um terço dos votos de Marina (especialmente os votos do Nordeste e Norte), além de capturar boa parte do eleitorado que votou no PSOL. Resumo/Dilma: 42% do primeiro turno + 8% de Marina + 2% da esquerda = 52%.
Essa é minha aposta inicial: 52% a 48%. O segundo turno será duríssimo. E a distância pode encurtar ainda mais, já que Dilma terá contra si a oposição cerrada da mídia e o discurso de ódio que avança em São Paulo, Brasília e outras cidades brasileiras.
“Um quadro venezuelano de disputa”, foi assim que resumi o cenário para um colega jornalista. Ele riu, e concordou.
Venezuelano não só pela disputa apertada. Mas pelo grau de conflagração verbal e política. Dilma deu uma pista do que será essa disputa, no discurso aqui em Brasília – neste domingo à noite. Agradeceu centrais sindicais, partidos, exaltou a figura de Lula e a militância. Depois, atacou: “não queremos os fantasmas do passado, a recessão e o arrocho. O povo não quer mais aqueles que chamavam aposentado de vagabundo. Não quer mais racionamento de energia, nem aqueles que se ajoelhavam para o FMI”.
Dilma não citou FHC. Mas tá na cara que a estratégia petista será comparar: FHC x Lula. Qual projeto beneficiou mais gente no Brasil?
Estamos diante de uma situação curiosa, e perigosa. O PT, que ao longo de 12 anos apostou em ganhar terreno sem politização e sem confronto aberto, agora será obrigado ao confronto. É uma questão de sobrevivência. Ou Dilma parte para o confronto, ou perde. O eleitorado aceitará essa estratégia, para a qual não vendo sendo preparado nos últimos anos?
O PT terá que arriscar. A redução da bancada na Câmara (o PT recuou para 70 deputados, e o PCdoB perdeu um terço dos parlamentares) dá uma pista de que a falta de apetite para o combate simbólico está custando caro demais para a esquerda.
A direita avança: na sociedade, nas telas da TV e do rádio, no discurso do ódio, e agora também no Parlamento. A despolitização cobra seu preço. A água bate no pescoço. É confrontar ou morrer.
Aliás, mesmo que Dilma consiga vencer (a batalha será duríssima, repito), sofrerá muito no Senado (Serra, Tasso Jereissati, Aloysio, Alvaro Dias, Caiado, Lasier da RBS, Ana Amélia – o núcleo duro e ideológico da direita se reorganiza por ali) e na Cãmara – (onde vai imperar a absoluta dispersão de bancadas). Uma direita tacanha, moralista, que mistura hipocrisia religiosa com arreganhos facistas, avança na mesma velocidade em que a esquerda vira o demônio a se eliminar.
Tempos difíceis nos aguardam.
Mas há resultados contraditórios também para a oposição. Aécio chegou – sim - com força para o segundo turno, mas perdeu Minas. Um baque considerável. Pela primeira vez, o PT elegeu um governador no Sudeste.
O PT ganhou também Bahia, Piauí, e deve vencer no Ceará – em aliança com os irmãos Gomes (Cid e Ciro); o PCdoB venceu no Maranhão.
O núcleo mais atucanado do PMDB (Geddel foi derrotado na Bahia, e Henrique Alves vai suar no segundo turno no Rio Grande do Norte) perdeu força.
Mas, então, quem ganhou? O conservadorismo difuso, a geléia geral da fisiologia.
Junho de 2013 e a tal “nova” Política terminaram nessa miscelânea de Bolsonaros, Malafaias, Russomanos… Por enquanto, é a direita que colhe os melhores resultados do “desencanto” com a Política (desencanto? Com Pezão no Rio e Alckmin em São Paulo?).
O PSOL conseguiu ampliar a bancade de 3 para 5 deputados (incluindo gente muito boa: Ivan Valente de São Paulo, Edmilson Rodrigues do Pará e Jean Willis do Rio). Mas é pouco, pouquíssimo.

De um lado, o país mostrou maturidade ao levar ao segundo turno dois projetos de verdade (PT x PSDB). De outro, deu força para o conservadorismo congressual. Ganhe quem ganhar, o quadro será de paralisia, com dificuldades imensas para governar a partir de 2015.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

DUBAI e trabalho escravo

“O destaque de Dubai como centro mundial de negócios contrasta com a situação de miséria e de violação de direitos humanos dos trabalhadores na construção civil - grande parte deles migrantes provenientes da Índia, Bangladesh, Paquistão, Afeganistão, Yemen, Sri Lanka, Etiópia, Filipinas, China ou Síria. Mal pagos e mal alojados, têm sido submetidos a formas de exploração comparáveis às vigentes durante a Revolução Industrial, sendo muitas vezes obrigados a trabalhar sob temperaturas que podem superar 50 °C. São frequentes os casos de suicídio entre os operários. Segundo Sharla Musabih, diretora do abrigo Casa da Esperança, destinado a mulheres vítimas de violência, Dubai progrediu muito economicamente nos últimos 10 anos, mas as condições dos trabalhadores são semelhantes às do século XIX.”
O texto acima foi copiado da Wikipédia, a enciclopédia livre.

Por algum momento alimentei a possibilidade de conhecer Dubai. Como procuro adquirir um mínimo de conhecimento sobre os lugares para onde desejo viajar, arquivei definitivamente esse desejo. DUBAI FOI CONSTRUIDA COM TRABALHO ESCRAVO e A MANUTENÇÃO DA CIDADE CONTINUA SENDO FEITA COM ESSE MESMO TIPO DE TRABALHO. Dezenas de milhares de trabalhadores imigrantes provenientes do Egito, Índia, Paquistão e de vários países africanos e de outras nações sobrevivem em Sonapur. Tentei encontrar Sonapur no Google Maps, em vão. Lá moram em torno de 300.000 imigrantes, algo como cinco vezes a camunidade da Rocinha no Rio de Janeiro. Ficam impedidos de retornarem a seus países de origem porque seus passaportes são retidos por seus empregadores ou pelos agentes que os trazem.

Para os EUA o mundo é um campo de batalha


Acabo de ler GUERRAS SUJAS - O mundo é um campo de Batalha, publicado pela Editora Companhia das Letras. Seu autor, Jeremy Scahill, jornalista investigativo, é estadunidense e ganhador do cobiçado prêmio jornalístico George Polk em 2007.

O tema do livro é assustador: as ações secretas das forças armadas norte-americanas.em vários países pelo mundo. Em nome do combate ao terror, a máquina de matar dos EUA não respeita nenhuma regra (nem as da ONU), nenhuma lei (nem a própria Constituição) e nenhuma fronteira (mesmo sem guerra oficialmente declarada).

Se alguém imaginava que a morte de Osama Bin Laden pudesse significar algum arrefecimento nos assassinatos sem julgamento cometidos pelos Comandos de Operações Especiais do império americano, se enganou. No governo Obama as operações de caça e morte de supostos terroristas mais do que dobraram. Na página 658 consta uma afirmação do Comando de Operações Especiais-SOCOM de que suas forças estão presentes em mais de cem países. Estará o Brasil nesta lista?


Jeremy Scahill
E se alguém também pudesse imaginar que a segurança dos norte-americanos melhorou, também se enganou. O autor do livro deixa na página 664 as seguintes perguntas: "Nossos próprios atos, executados em nome da segurança nacional, estão nos deixando mais seguros ou menos seguros? Estão eliminando mais inimigos do que os incentivando?" O livro mostra que, na realidade, a expansão do campo de batalha para o resto do mundo mostra que os norte-americanos estão a cada dia menos seguros na medida diretamente proporcional aos inimigos que vão criando.

O livro merece ser lido. Concluo com a frase final do livro: AQ pergunta que todos os americanos devem se fazer vem sendo adiada penosamente: como se acaba com uma guerra como essa?

Marina Silva, o Brasil e a CIA

Quem já leu GUERRAS SUJAS de Jeremy Scahill não vai se surpreender com o conteúdo da matéria que transcrevo abaixo, publicado no site Grupo Beatrice.


Marina Silva é atual candidata do Partido Socialista à presidência do Brasil. Em meados dos anos 1980s, ela já atraíra a atenção da CIA, quando frequentava a Universidade do Acre. Naquele momento, estudava marxismo e tornara-se membro do Partido Comunista Revolucionário, clandestino. Durou pouco aquele ‘compromisso’: ela rapidamente se transferiu para a ‘proteção do meio ambiente’ na Região Amazônica. Os serviços especiais dos EUA sempre tiveram interesse muito especial naquela parte do continente, na esperança de construírem meios para controlar a área no caso de emergência geopolítica. A CIA fez contato com Marina Silva. Não por acaso, em 1985 ela alistou-se no Partido dos Trabalhadores (PT), o que lhe abriu novas possibilidades de crescimento político.

Em 1994, Marina Silva foi eleita para o senado brasileiro, com fama de ativista apaixonada a favor da proteção ao meio ambiente. Foi quando começaram a circular informações sobre laços entre Marina Silva e a CIA. Em 1996, ela recebeu o Goldman Environmental Prize.
[1] E recebeu inúmeras outras importantes condecorações: é praxe, quando se trata de ‘candidatos’ que a CIA tem interesse em promover, que o ‘candidato’ seja coberto de medalhas e condecorações.

Marina Silva serviu como ministra do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até que, interessada em ‘voos mais altos’, e preterida, ela abandonou o Partido dos Trabalhadores e mudou-se para o Partido Verde, de início dedicada a protestar contra políticas ambientais apoiadas pelo PT.  Foi realmente um choque, na política brasileira, que a ex-ministra tenha mudado tão completamente de lado, depois de quase 30 anos de atividade a favor do Partido dos Trabalhadores.

Nas eleições de 2010, a candidata da CIA obteve quase 20 milhões de votos, como candidata do Partido Verde; na sequência, para as eleições de 2014, aceitou lugar na chapa de Campos, como vice-presidenta, quando fracassaram seus esforços para criar seu ‘não partido’, mas ‘rede’, chamada “Sustentabilidade”. Dilma Rousseff, candidata do PT contra a qual se alinhavam já em 2010 todas as demais candidaturas, trazia planos para dar continuação às políticas independentes do presidente Lula. Nada disso interessava a Washington em 2010, como tampouco interessa hoje, em 2014.

Daquele momento até hoje, as relações entre Brasil e EUA só fizeram piorar, resultado do escândalo da espionagem & escutas clandestinas. A Agência de Segurança Nacional dos EUA espionou a presidenta Dilma Rousseff e membros de seu gabinete. A presidente brasileira chegou a cancelar visita oficial que faria aos EUA, como sinal de protes. Os EUA jamais apresentaram pedido de desculpas ou comprometeram-se a pôr fim às atividades de espionagem. A presidenta Dilma, então, agiu: denunciou as atividades da Agência de Segurança Nacional e da CIA dos EUA na América Latina e tomou medidas para aumentar a segurança nas comunicações e controle sobre representantes dos EUA ativos no Brasil. Obama não gostou.

As eleições presidenciais no Brasil estão marcadas para 5 de outubro. E  Washington está decidida a fazer de Dilma Rousseff presidenta de mandato único. Não há dúvida alguma de que os serviços especiais já iniciaram campanha para livrar-se da atual governante brasileira. Começaram a agir com movimentos de protesto ditos ‘espontâneos’, que encheram algumas ruas e foram amplamente ‘repercutidos’ na imprensa, nos quais os ‘manifestantes’ pedem mudanças (aparentemente, qualquer uma, desde que implique ‘mudança de regime’) e o fim das “velhas políticas” [de fato, nenhuma política é ou algum dia será ‘mais velha’ que o golpismo orquestrado pela CIA no Brasil e em toda a América Latina (NTs)]. Ouviram-se grupos de jovens em protestos contra a propaganda e os símbolos dos partidos políticos, especialmente do PT.

Não se sabe até hoje de onde surgiram os recursos com os quais Marina Silva começou a organizar sua ‘rede’ Sustentabilidade. A nova ‘organização’ visava a substituir os partidos tradicionais, que a candidata declarou ‘velhos’. Tendo obtido 19 milhões de votos, o que lhe valeu o 3º lugar nas eleições passadas, ela contudo não conseguiu cumprir todas as exigências legais para criar oficialmente sua nova ‘rede’. Até que a tragédia que matou Eduardo Campos e seis outras pessoas, perto de São Paulo, mês passado, deu a Marina Silva uma surpreendente segunda chance para tentar chegar à presidência do Brasil. Para conseguir ser a primeira mulher mestiça a chegar à presidência do Brasil, terá de derrotar a primeira mulher que chegou lá antes dela, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, PT; além o candidato Aécio Neves do PSDB, partido pró-business, que hoje amarga um 3º lugar nas pesquisas. A Casa Branca tem-se sentido frustrada.

Dia 13 de agosto, a campanha eleitoral presidencial no Brasil foi lançada em área de incerteza, quando um jato que conduzia o candidato do partido socialista, Eduardo Campos, tombou sobre bairro residencial próximo de São Paulo. Morreram o candidato e seis outras pessoas, passageiros e da tripulação, no acidente que pode ter acontecido por causa do mau tempo, quando o Cessna preparava-se para pousar. As mortes geraram uma onda de comoção nacional, que provavelmente evoluirá para especulações sobre o efeito que terão nas eleições do próximo 5 de outubro. A presidenta Rousseff declarou três dias de luto oficial por Campos, ex-ministro do governo do presidente Lula. A aeronave passara por manutenção técnica regular e nenhum problema foi detectado. De estranho, só, que o gravador de vozes da cabine do avião não estava operando, o que gerou suspeitas. O gravador operara normalmente e gravara várias conversações na cabine, mas nada gravou no dia da tragédia. O avião já passara por vários proprietários (empresários norte-americanos e brasileiros, representantes de empresas de reputação duvidosa), antes de chegar à campanha dos candidatos Eduardo Campos e Marina Silva.

Para alguns comentaristas brasileiros, há forte probabilidade de que tenha havido um atentado, que resultou no assassinato de Eduardo Campos. Antes da tragédia, o avião foi usado pela agência antidrogas dos EUA, Drug Enforcement Administration (DEA). Enviados de antigos proprietários do avião tiveram acesso ao local do acidente, sob os mais diferentes pretextos. Difícil não conjecturar se teria havido agentes dos EUA por trás da tragédia. Mas ainda não se sabe exatamente sequer o que aconteceu. Saber quem fez, se algo foi feito,  demorará ainda mais.

O avião decolou do Rio de Janeiro, onde opera uma estação da CIA, em território do consulado dos EUA. Não há dúvidas de que aquele escritório é usado pela Agência. Talvez os serviços especiais do Brasil devessem dar atenção especial a personagens que rapidamente deixaram o país, imediatamente depois da tragédia em Santos. A morte de Eduardo Campos teve efeito instantâneo sobre a candidatura do Partido Socialista: Eduardo Campos jamais passara dos 9-10% de preferência nas pesquisas, mas Marina Silva rapidamente surgiu com 34-35%, na votação em primeiro turno. Agora, se prevê que a eleição seja levada para o segundo turno.

O principal problema de Marina Silva é que é sempre difícil entender quais seriam suas reais intenções e projetos. É uma espécie de ‘imprecisão’ que se observa constantemente no discurso de candidatos promovidos pelos EUA. Marina Silva  mudou de lado, sempre muito dramaticamente, inúmeras vezes. Ao unir-se a Eduardo Campos, por exemplo, a candidata várias vezes se manifestou a favor de manter bem longe do Brasil as ideias de Chavez (Hugo Chavez – falecido presidente da Venezuela, conhecido pelas convicções socialistas e políticas de esquerda). Mas ela serviu ao governo do presidente Lula, conhecido e muito respeitado defensor do chavismo. (...)

De fato, ao tempo em que a campanha avança e as eleições aproximam-se, Marina Silva vai-se tornando cada vez mais neoliberal. Já disse que não vê sentido em fazer dos BRICS um centro de poder multipolar, nem em apressar a implementação de medidas já decididas dentro do bloco, como criar um banco de desenvolvimento, um fundo de reserva, etc. Já manifestou ‘dúvidas’ sobre o Conselho Sul-americano de Defesa, e diz, em discussões com assessores íntimos, que quer dar menos atenção ao Mercosul e à Unasul (União das Nações Sul-americanas, união intergovernamental em que se integram duas uniões aduaneiras, o Mercosul e a Comunidade de Nações Andinas, como parte do processo de integração sul-americana). Para Marina Silva, mais importante é desenvolver relações bilaterais com os EUA.

Fato é que os brasileiros estão já habituados a quase 20 anos de progresso social no país, com os governos do presidente Lula e da presidenta Rousseff. A população é ouvida, as reformas acontecem, o que foi prometido está sendo construído, o Brasil vive tempos de estabilidade e de avanços.

Se Marina Silva chegar à presidência (George Soros, magnata  norte-americano, investidor e filantropo, tem alimentado a campanha dela com quantidade significativa de fundos), deve-se contar com o fim de vários programas sociais e políticos, o que pode vir a gerar grave descontentamento popular.  Há quem diga que os escritórios dos EUA no Brasil estão repletos de agentes dos serviços especiais, encarregados de ‘gerar’ ‘protestos’ naquele país. ***** 


* Nil Nikandrov é jornalista, russo, trabalha em Moscou e cobre questões de política latino-americana; é conhecido crítico da devastação que governos neoliberais promoveram em economias nacionais por todo o planeta. É autor da primeira biografia de Hugo Chávez em russo (NTs, com informações de http://www.4thmedia.org/category/nil-nikandrov/).

[1] Sobre o prêmio, ver http://en.wikipedia.org/wiki/Goldman_Environmental_Prize . Além de Marina Silva, outro brasileiro  recebeu esse prêmio, um “Carlos Alberto Ricardo”, fundador da ONG “Instituto Socioambiental”, em 1992, como se lê em http://en.wikipedia.org/wiki/Carlos_Alberto_Ricardo [NTs].

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Chile: El otro terrorismo

As tentativas de desestabilização dos países da América Latina não são nenhuma novidade. Reproduzo esta interessante reflexão publicada em SIN PERMISSO

Oscar Cornejo Rideau
El atentado ocurrido en el Metro es un hecho gravísimo y enteramente condenable, eso no está en discusión. Sin embargo, a raíz de este lamentable acontecimiento han proliferado otros hechos que son aún más inquietantes y ante los cuales se debe estar en máxima alerta, sobre todo, porque ellos sí que tienen la capacidad de alterar severamente el estado de derecho y la vida de las personas.
Luego de la explosión, los medios se han dado una suerte de festín sensacionalista y han presentado hipótesis de todo tipo, conectando gratuitamente sucesos que no tienen ningún tipo de relación lógica, por ejemplo, los robos de cajeros automáticos con los avisos de bomba, o el asalto del camión Brinks en el aeropuerto, con los paquetes sospechosos encontrados en el metro.
En medio de este frenesí conspirativo, que es bastante esperable en esta situación, se le ha dado tribuna a ciertas voces que bajo el título de expertos, han dado declaraciones francamente inaceptables. Por mencionar sólo una, en canal 13, en una entrevista en vivo que duró cerca de dos horas, el señor Jorge Valdés, experto en seguridad, declaró reiteradamente que era urgente que la ley antiterrorista se volviera más severa, incorporando facultades tales como la infiltración de agentes del Estado en “las juntas de vecinos, los sindicatos y las universidades”, porque, según él, una gran organización terrorista con “formación en Chile y en el extranjero” estaba detrás de “todas las explosiones” y buscaba “imponer el terror” en la nación. A su juicio, era “evidente que estos grupos estaban instruidos por el grupo Lautaro y diversas organizaciones anarquistas”, que ahora se sentían con plena libertad de actuar. Estas atribuciones debían, de ser necesario, ejercerse inmediatamente, incluso si la ley no las contemplaba.
Con un tono similar, el ex jefe nacional de inteligencia sostenía que el ministro Hinzpeter había sido injustamente criticado por querer imponer “mano dura” en medio del clima de caos que imperaba en el país, y que fue un profundo error no aplicar la ley antiterrorista toda vez que fue necesario, por ejemplo, en los atentados de la Araucanía.
Estas declaraciones se suman a otras que afirmaban todo tipo de cosas, como la necesaria incorporación de tropas especiales en el conflicto mapuche, la eliminación de las “excesivas garantías” para los encapuchados, hasta barbaridades dichas por peatones entrevistados “al azar” que iban desde “sacar los militares a la calle” hasta el retorno de la detención por sospecha. Todas ellas seguidas de las repeticiones de desafortunados reportajes sobre grupos anárquicos, algunos con errores tan groseros como aquel que afirmaba, sin tapujo, que dentro de las facciones más peligrosas de los “terroristas”, se encontraban los denominados “veganos”.
En todo esto el gobierno tampoco se ha quedado atrás, invocando sucesivas veces la ley antiterrorista, la misma que se había comprometido a no usar y que ha recibido severas críticas de parte de los organismos internacionales por vulnerar los derechos humanos, la proporcionalidad de la pena, la no discriminación racial, entre otros principios mínimos de justicia.
Más allá de los ejemplos, que son muchos, urge que la ciudadanía esté extremadamente atenta al posible uso malintencionado de los acontecimientos que hacen ciertas personas cuyos fines políticos e ideológicos no son precisamente los de proteger a la ciudadanía, sino los de propiciar un falso clima de pánico en donde se justifique la vulneración de garantías constitucionales y se criminalicen los movimientos sociales, evadiendo las demandas de fondo que han sido sostenidas por la población.
La conexión inescrupulosa de acontecimientos que pretende poner en un mismo saco al nuevo gobierno, a la delincuencia, a los estudiantes, a los mapuches y a la desaceleración de la economía, no es una estrategia nueva en la política nacional, sino que forma parte del repertorio común de los grupos minoritarios cuando ven sus intereses amenazados por el empoderamiento de los ciudadanos. Son estos los que, pese a no andar encapuchados y a usar armas más refinadas que las latas de jurel con pólvora, conforman las verdaderas asociaciones terroristas que padece el país.
La principal recomendación en esta situación es permanecer en constante sospecha, condenando severamente el ataque de inocentes, mas no dejándose atrapar por la verborrea de sectores tanto o más extremistas que los autores del atentado, pues únicamente una ciudadanía crítica puede estar realmente a salvo del terrorismo, en cualquiera de las múltiples formas en las que se presente.
Oscar Cornejo Rideau, estudiante de humanidades, ensayista.

sábado, 9 de agosto de 2014

EUA e Israel: unidos pelo regime liberal e o genocídio

Trancrevo o texto abaixo, publicado originalmente no CORREIO DA CIDADANIA. Uma revisão resumida e esclarecedora do libealismo inserida em contexto atual. (José Amorim de Andrade)

ESCRITO POR RAMEZ PHILIPPE MAALOUF

QUI, 07 DE AGOSTO DE 2014

O Liberalismo é uma ideologia forjada por uma nobreza mercantil no século XVII, na Inglaterra e na Holanda, não tardando a ser disseminada nas treze colônias britânicas da América. O ideário liberal, que tomou a forma mais bem acabada com o filósofo inglês John Locke, no final do século XVIII, apregoa a defesa da propriedade, da escravidão, do individualismo, do segregacionismo, da supremacia racial branca anglo-saxã protestante, do elitismo, do autoritarismo e do utilitarismo.

O regime liberal dos EUA passou a ser considerado um governo democrático apenas quando o pensador liberal francês Alexis de Tocqueville escreveu A Democracia na América, por volta de 1832. Ele também foi o primeiro intelectual a defender abertamente o extermínio de populações árabes, quando a França invadiu e ocupou a Argélia em 1830.

Os EUA nasceram, no entanto, em 4 de julho de 1776, por meio de um fronda de senhores de escravos contra o Reino Unido que buscavam garantir o direito de exterminar os índios para roubar-lhes as terras e de escravizar os negros oriundos da África. Uma vez vencida a guerra de independência contra os britânicos, em 1781, os EUA passaram a ser governados por uma ditadura militar de facto, que, por meio de um golpe de Estado da Convenção Constitucional, estabeleceu a ditadura do general George Washington, visando esmagar as revoltas populares contra o pagamento dos pesados impostos que incidiam sobre a população mais pobre e exterminar tribos indígenas que haviam se aliado à Inglaterra durante o processo de emancipação.

Além de ter nascido por meio de frondas, golpes de Estado e ditadura militar – que serviram de inspiração para o despotismo de Napoleão Bonaparte na França, profundo admirador do regime militar de George Washington e do presidencialismo imperial existente na jovem nação ianque –, os EUA, com uma economia assentada na mão-de-obra escrava, se constituíram como um dos primeiros Estados raciais da História, isto é, onde o racismo e o segregacionismo racial eram leis.

Até o início da segunda metade do século XX, era comum negros (homens, mulheres, crianças e idosos) serem linchados e queimados vivos em locais públicos nos EUA, especialmente no sul do país, para divertimento de famílias brancas. Muitos destes negros eram enforcados em árvores, permanecendo pendurados por dias. A cantora negra Billie Holiday compôs uma bela e triste canção denunciando as “estranhas frutas” penduradas nas árvores do sul dos EUA. Estranhas frutas do ódio racial imposto legalmente por um Estado liberal, a “democracia dos senhores brancos de escravos”.

Toda esta violência racial convivia harmoniosamente com a convocação regular de eleições para os legislativos e executivos estaduais e federal, sem qualquer interrupção desde 1789. Esta é natureza do regime liberal, o estabelecimento de um Estado policial permanente contra as populações pobres e de etnias diferentes daquelas da classe de proprietários, ao lado de um sistema representativo de poder, com eleições regulares.

Hoje, o regime liberal dos EUA permite “eleger” um presidente negro (ou quase) ao mesmo tempo em que mantém mais de 2,5 milhões de jovens negros nas cadeias em todo o país. Outros milhares de negros são assassinados nas grandes cidades dos EUA por causa de disputas degangs, consumo de drogas, sistema de saúde falido e repressão policial.

Por este motivo, não podemos estranhar a aliança quase carnal dos EUA com Israel. Suas histórias se confundem e se fundem. Não se trata apenas de uma aliança que é regida por um poderoso lobby, trata-se de um desdobramento quase natural do reconhecimento de uma nação fundamentada no ódio racial e na alienação de terras de povos autóctones a outra nação forjada sob as mesmas bases coloniais, racistas e segregacionistas.

Agora, desde o início de julho de 2014, em mais um capítulo de sua história de crimes contra a Humanidade, Israel bombardeia a Faixa de Gaza, exterminando mais de 1800 palestinos, sem que este território possa oferecer qualquer forma de defesa efetiva. O massacre começou dias após “colonos” sionistas assassinarem uma criança palestina na Cisjordânia, queimando-a viva em suposta vingança pelo assassinato de três jovens “colonos” sionistas, de autoria desconhecida até o presente momento. Trata-se, como visto, de uma lamentável repetição dos linchamentos de negros e chineses nos EUA ao longo do século XX.

Não faltarão pensadores, até mesmo entre ditos esquerdistas, que dirão que, apesar de toda forma de violência ser promovida contra os palestinos, Israel é uma “democracia vibrante” porque há eleições regulares, partidos esquerdistas legalizados (inclusive o “comunista”), justiça supostamente independente e uma sociedade civil com ampla liberdade de expressão. Só podemos afirmar que quem faz este tipo de declaração, colocando a “liberdade” em termos abstratos acima do direito à vida, está propenso a aceitar e a perpetrar os piores crimes contra a Humanidade.

Na verdade, esta declaração é a verdadeira essência genocida do Liberalismo – a ideologia do capitalismo –, que segue sendo, após mais de 350 anos de existência, o maior inimigo da Humanidade.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A Alemanha e o Brasil na Copa 2014

O mundo sai desta Copa encantado com o nosso país, nossas riquezas naturais, nossas belezas e a riqueza cultural de nosso povo. É verdade que nesta Copa mostramos muita coisa maravilhosa, menos futebol. Faz parte.

Depois do que passamos nesta Copa do Mundo, a leitura dessa matéria se torna relevante.

José Amorim de Andrade

Alemanha, o país do futebol

por Guilherme Pavarin e Alexandre Versignassi

(na Revista Super Interessante)

No comecinho dos anos 2000, o grandalhão Oliver Bierhoff era o maior - e bota maior - símbolo do então apático futebol alemão. Experiente, corpulento, de canelas longas, pouca técnica e quase nenhuma movimentação, o centroavante abusava dos seus 1,91 m para finalizar as jogadas do único jeito que sabia: pelo alto, entre os zagueiros, cabeceando firme para dentro das redes. O movimento era repetido à exaustão. Jogo a jogo.
Na Eurocopa de 2000, na Bélgica, os alemães sentiram a limitação bater na ponta das chuteiras. Atirados em um grupo com equipes fortes - Inglaterra, Portugal e Romênia -, caíram logo na primeira fase, marcando apenas um ponto e um gol. Vexame para uma camisa tricampeã mundial, que já tinha vestido Franz Beckenbauer, Karl Rummenigge, Paul Breitner. "Estávamos pensando exatamente como vocês brasileiros pensam hoje: que não precisávamos aprender nada. E fomos jogando cada vez pior, pior e pior", resumiu o próprio Breitner numa entrevista recente para o canal ESPN Brasil. Mas a queda em 2000 fez os alemães acordarem. Autoridades foram a público e tornaram o desempenho da seleção assunto de estado. O governo traçou um plano ambicioso: em uma década, a Alemanha deveria voltar a ser uma potência futebolística.
A missão, afirmaram os governantes, era fazer com que a população voltasse a se encantar com o esporte. O país, então, botou a mão no bolso. Em pouco mais de 12 anos, investiu cerca de US$ 1 bilhão em academias e centros de treinamentos para jovens. A ideia era usar esses CTs públicos para ensinar futebol com uma receita em duas medidas: 50% habilidade, 50% força - em vez dos 200% força que a seleção vinha aplicando.
Quem cuida de tudo lá é a DFB (Associação Alemã de Futebol), a CBF deles. Ligada ao governo, a associação alemã é dona de 366 centros futebolísticos. Desde 2001, crianças de 9 a 17 anos desenvolvem seus talentos em academias perto de suas casas, sem vínculo com clubes. Cerca de mil técnicos treinam 25 mil jovens. A DFB, na verdade, é tudo o que a CBF não é. A nossa Confederação Brasileira de Futebol é um órgão privado, e não possui nenhum projeto de formação de jogadores além das seleções de base (sub-15, sub-17 e sub-20), que só pinçam jovens talentos que já treinam em algum clube. E tem a corrupção - os escândalos se avolumam há décadas.
Enquanto isso, na Alemanha, a DFB tratou de reformar a Bundesliga - o campeonato nacional deles. A primeira foi impor uma política financeira rigorosa. Os clubes passaram a ter que enviar, três vezes ao ano, atestados de orçamento positivo. Analisados um a um, os casos deveriam seguir à risca um livro de 200 páginas que especifica normas financeiras.
Se aprovados, ok, podem jogar a liga. Do contrário, W.O.: perdem pontos e, se a "infração" administrativa for grave, nem entram em campo. Assim, nenhuma extravagância, como contratar um Neymar, poderia ser feita sem que o clube desse garantias de poder efetuar o pagamento. Tal controle foi capaz de praticamente extinguir as dívidas das equipes locais. Dos 30 times da Bundesliga, só dois têm dívidas. E o gasto com salários não passa de 50% da receita dos clubes; em outros países, o valor chega a 70%. No Brasil, a dívida dos 20 maiores clubes é de R$ 4 bilhões. Na Inglaterra, de R$ 11 bilhões.
Com esse pacotão, a missão alemã estava clara: gerar novos talentos e nutrir o futebol deles numa competição sustentável. Hoje, 13 anos depois, os resultados são sólidos. Bayern e Borussia Dortmund, dois dos grandes clubes da nação, foram os finalistas da Champions League, o principal torneio interclubes do mundo. Como numa boa lavoura, proliferam novos craques. Mario Goetze, de 20 anos, André Schürrle, de 22, mais Marco Reus e Thomas Müller, de 23, são alguns nomes que fazem Bierhoff e seus antigos companheiros parecem praticantes de outro esporte. Para completar, a liga do país tem o melhor público do mundo, média de 45 mil pessoas por jogo (40% são mulheres). Só a torcida do Borussia Dortmund tem média de 80 mil (!) por jogo. É uma final de Libertadores no Maracanã a cada domingo - coisa inédita na história do futebol. Não tem comparação: média de público do Brasileiro é 15 mil pessoas. A da segunda divisão alemã é de 17 mil. Nossa média, aliás, é só a 13º do mundo, atrás de China e EUA.
O fato é que nenhum país trata o futebol tão a sério quanto a Alemanha. E não é só para tentar ganhar troféus. Quando eles propuseram uma revolução no futebol, a justificativa foi a seguinte: só a bola seria capaz de unir a nação.
Faz mais sentido do que parece. A Alemanha é o terceiro país com mais imigrantes no mundo (atrás de EUA e Rússia). Mais de 20% dos 82 milhões de habitantes da Alemanha são ou imigrantes ou filhos de imigrantes. Num país onde até não muito tempo atrás era preciso ser "ariano" para ser cidadão, isso poderia virar um caldeirão de intolerância. Às vezes até vira. Mas o futebol ajuda a manter a coisa em fogo baixo, justamente porque nada na Alemanha abraçou mais imigrantes do que o futebol.
O Bayern de Munique, por exemplo, é um arco-íris étnico. No time mais tradicional da Alemanha, tem negro, branco, moreno, narigudo, careca, black power... Se botar o uniforme do Bangu nos caras, vira tudo carioca. Uma combinação de fazer Hitler revirar no túmulo - e, junto com as iniciativas que vimos aqui, de tornar a Alemanha tetracampeã no Brasil, o país da corrupção no futebol.